Fogueira é explorada politicamente e 10 passam pelo braseiro

José Henrique Teixeira

23/06/2008 - Mesmo com uma noite bem fria e sendo uma segunda-feira, mais uma vez a passagem da fogueira de São João Batista reuniu milhares de pessoas em Bocaina neste 23 de junho. Mais uma vez e desta vez maior que nos três anos anteriores, houve exploração política da festa. O público não foi igual ao do ano anterior, quando a data caiu num sábado, mas mesmo assim calcula-se que oito mil pessoas estavam presentes, grande parte delas da região.

Foram 10 pessoas que passaram no braseiro da fogueira à meia-noite. Destas, cinco moram em Bocaina e as outras vieram da região. Um senhor de Jaú quase caiu no meio do braseiro, saiu cambateando e caiu logo após atravessar a fogueira. Foi levado à Santa Casa de Bocaina pela ambulância que estava de plantão no local.

O que se notou, mais uma vez, foi o uso político da tradicional Festa de São João. Não bastassem banners com o slogam da administração municipal no largo e no palco, estes também estavam presentes em frente da arquibancada da fogueira. Muitas pessoas criticaram essa exploração política da mais que centenária festa católica do povo bocainense. "Administrações anteriores nunca fizeram isso", disse um morador.

A fogueira deste ano foi preparada por Luiz Carlos Sege, Sabino Bispo de Santana e Mário Genipe Filho. Antonio Guica de Souza Junior apenas coordenou a passagem dos devotos sobre o braseiro. Mais uma vez, faltou som para a bênção da fogueira, feita às 23h30 pelo padre Antonio de Marcos. Levaram a ele um microfone sem fio, mas as caixas de som estavam apenas no largo à direita da igreja e a bênção não foi ouvida pelos que se aglomeravam em torno da fogueira.

Além de veículos de comunicação de Jaú e outras cidades, inclusive de Ribeirão Preto, estavam presentes as emissoras de televisão TV Tem, afiliada da Globo em Bauru, e Record.

Passaram pela fogueira este ano, de Bocaina, José Luiz Cacciola (13º ano), Sergio Luiz Rodrigues (3º ano), Célio Aparecido França Antunes (11º ano) . José Antonio Cordeiro Almeida (1ª vez) e Genival Griffo, o Giba. Américo Bonfim Silva da Cruz, o Pinha, que passou por 17 anos, ficou apenas como espectador desta vez. Alegou problemas de saúde para não fazer a travessia pela 18ª vez.

De fora vieram Lúcio Aguinaldo Scarre, de Barra Bonita (1ª vez), Otávio Carlos, de Jaú (1ª vez), Adriano José da Silva, do distrito de Potunduva (1ª vez), José Luiz Rodrigues, de Jaú (2ª vez) e Raul Boscarini, do distrito de Potunduva (3ª vez).

Nenhuma mulher atravessou o braseiro neste ano.

Por volta dos 20 minutos da madrugada do Dia de São João a passagem da fogueira estava encerrada. Aí, como sempre, aparecem alguns para fazer graça e atravessam correndo o braseiro devidamente calçados.

Aos 30 minutos da madrugada o que se vê é uma fila de veículos na estrada, retornando a Jaú. Parece uma procissão motorizada.

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