Bocaina. Pequena, pacata e bonita

Aos invés de arranha-céus, casarões construídos na primeira metade do século passado; ao invés de avenidas aparentemente intermináveis por conta dos engarrafamentos, ruas tranqüilas e arborizadas, sendo que algumas delas, como se observa no centro histórico da cidade, ainda calçadas de paralelepípedos; ao invés do medo e da insegurança, a tranqüilidade de moradores que nas noites de maior calor ainda se dão ao direito de dormir com as janelas abertas. Um lugar aparentemente imaginário? Não, apenas o cotidiano de Bocaina, uma das pequenas e pacatas cidades do interior de São Paulo, ritmo de vida das pessoas não guarda qualquer semelhança com o "corre-corre" estressante dos grandes centros urbanos.

Como ocorre na maioria das pequenas cidades do interior, a igreja Matriz figura como um dos principais centros de referência dos moradores, local a partir de onde a cidade se formou. No caso de Bocaina, a igreja Matriz tem ainda um outro motivo para servir de referência, já que suas paredes e teto ostentam um dos mais ricos acervos artísticos de todo o estado. Ali estão as 13 últimas telas sacras pintadas por Benedito Calixto, um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros no final do século 19 e início do século 20.

Com sua economia assentada principalmente no setor sucroalcooleiro (a cidade possuí uma usina de açúcar e álcool) e na produção de equipamentos de proteção individual a partir da raspa de couro (são cerca de 120 indústrias do gênero), o desemprego é uma realidade distante para os moradores de Bocaina, o que ajuda a explicar os baixíssimos índices de violência registrados no município. A maioria dos bocainenses nem se recorda quando foi registrado o último caso de homicídio na cidade.

Assim é Bocaina, pequena, pacata, e exemplo de qualidade de vida para muitas outras cidades do Brasil. Na seqüência, alguns aspectos dessa cidade de 9.881  habitantes (Censo/2007/IBGE) captados  pelo fotógrafo Antonio Laudicir Teixeira.

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