ASPECTOS ECONÔMICOS

No passado, o café, hoje a cana-de-açúcar e o couro

Setor sucroalcooleiro é hoje o maior gerador de riquezas no município, seguido da industria coureira, que viveu grande expansão a partir da segunda metade da década de 80

Já vai muito longe o tempo em que as fazendas de café formavam os principais pilares sobre os quais se assentava a vida econômica de Bocaina. Atualmente é possível contar nos dedos de uma única mão as propriedades rurais do município que continuam se dedicando à essa cultura. Na grande maioria delas, as terras atualmente estão ocupadas pelo plantio da cana-de-açúcar, destinado a alimentar a produção de açúcar e álcool da maior empresa do município, a Usina Santa Cândida. Das propriedades do município e de algumas outras cidades da região que não foram adquiridas pela usina no últimos anos, muitas encontram-se arrendadas pela empresa para o cultivo da cana. Em muitas dessas propriedades é comum a coexistência da cana em sistema de arrendamento e outros plantios em menor escala de produtividade, além da pecuária.

A erradicação das grandes plantações de café levou também à quase extinção da figura dos colonos, as grandes famílias que moravam nas propriedades produtoras do grão e que geralmente, além do trabalho nas plantações da fazenda, se dedicavam ao plantio de culturas de subsistência. Forçados a trocar o campo pela cidade, em virtude das mudanças vividas pelo primeiro desde então, a maioria deles continuou compondo a mão-de-obra rural, agora transformados na figura do bóia-fria. Outros acabaram trocando o trabalho na lavoura pelo das fábricas ou do comércio.

Atualmente, grande parte dos trabalhadores que atuam no corte da cana-de-açúcar em Bocaina é oriunda de outros municípios da região ou até de outros estados, formando a chamada mão-de-obra sazonal, aquela que é ocupada apenas durante o período da safra. Como muitos desses trabalhadores optaram por fixar moradia na cidade, nas últimas décadas a prefeitura se viu obrigada a investir em novos núcleos habitacionais para dar conta da crescente demanda por moradias. Foi sobretudo na esteira do desenvolvimento do setor sucroalcooleiro que a cidade viu surgir nessas últimas décadas os bairros Victório Marangoni, Jardim José Tonon e Jardim Xerxes Bartelotti. Um outro núcleo habitacional começou a ser construído em 2004 no bairro de Pedro Alexandrino, próximo à usina Santa Cândida.

COURO

Principalmente a partir da segunda metade da década de 80, Bocaina viveu uma expansão muito grande do setor coureiro, com a abertura de diversos curtumes e centenas de pequenas e médias empresas de fabricação de artefatos de segurança individual (luvas, perneiras, mangotes, etc) a partir da raspa, um subproduto do couro. Hoje a cidade conta com cerca de 80 curtumes e mais de uma centena de empresas de artefatos de proteção.

A atividade coureira adquiriu tamanha importância em Bocaina que o Sindicato dos Trabalhadores Coureiros de Botucatu, que representa os trabalhadores do setor em cerca de 20 municípios, transferiu em 2004 a sua sede para a cidade. Os empresários da área também constituíram um sindicato próprio, o Sindicouros.

Um grande contigente da mão-de-obra utilizada pelo setor coureiro não atua dentro das fábricas, sendo formada pelas costureiras de luvas, que com máquinas próprias ou cedidas pelas empresas atuam como prestadoras de serviços em suas próprias residências. Não se tem uma estimativa correta de quantas mulheres, e também homens, desempenham esse tipo atividade, mas sabe-se que ela é uma das maiores ocupadoras de mão-de-obra no município.

Ainda no setor coureiro, Bocaina conta com uma fábrica de calçados femininos, uma pequena fábrica de produtos químicos para curtumes e lojas de equipamentos industriais para o setor.

Um dos grandes dilemas gerados pelo crescimento dessa atividade no município foi o da destinação dos resíduos industriais gerados principalmente pelos curtumes. Durante muitos anos essa destinação foi feita de maneira totalmente irregular e sem critérios, com o descarte dos resíduos acontecendo em aterros inapropriados para tal ou simplesmente à beira de estradas rurais, gerando conseqüências graves ao meio-ambiente, uma vez que o material possuí uma grande carga de produtos químicos, utilizados no processo de curtimento do couro. O principal risco é para o solo e às nascentes de água, ameaçados de contaminação por esses produtos presentes nos resíduos.

Depois de ações enérgicas do Ministério Público e da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) sobre as empresas, a situação melhorou muito nos últimos anos. Hoje a maioria das empresas já faz a estocagem de seus resíduos de acordo com as normas ambientais exigidas pela Cetesb e depois os enviam para um aterro industrial no município de Paulínia. Ainda existem exemplos de descumprimento das normas para o descarte dos resíduos, mas hoje eles são muito menores do que os que se verificavam até um passado recente.

Além dos dois setores acima citados, Bocaina também conta com um setor de bens e serviços razoavelmente diversificado. O comércio ainda depende em muitos aspectos da cidade de Jaú, a cerca de 20 quilômetros de distância. É visível, no entanto, sobretudo na rua 15 de Novembro, o principal corredor comercial da cidade, as transformações vividas pelo setor nos últimos anos. Muitos lojistas investiram na ampliação e modernização de seus estabelecimentos e passaram a oferecer uma gama maior de produtos aos seus clientes. Ainda não conseguem, em muitos casos, competir com os preços dos grandes magazines da cidade vizinha, mas já oferecem serviços bem mais diversificados do que a cidade dispunha até bem pouco tempo.

Na rua 15 de Novembro também estão as três agências bancárias da cidade (Bradesco, Nossa Caixa e Banespa-Santander).

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