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Pesquisa:
70% dos homens não beijam durante o sexo
Ambulatório de Sexualidade Humana ouviu 154 homens G1 - Globo.com Ele acelera o ritmo cardíaco, aumenta a
temperatura da pele, queima em média 12 calorias, ativa 29 músculos
e, quando muito intenso, estimula a produção de endorfina, a famosa
substância química que dá a sensação de bem-estar. Essas são algumas
das reações que o beijo produz no indivíduo, mas uma pesquisa feita
no ambulatório de Sexualidade Humana da Clínica Delphos apontou que
70% dos 154 homens avaliados não beijam na boca durante o sexo. O responsável pela análise é o sexólogo Amaury
Mendes, que discutirá o tema na XVI Jornada Científica Delphos, no
dia 6 de setembro, no Humaitá, Zona Sul do Rio. Mendes fez a
pesquisa qualitativa com os pacientes de um ambulatório no Instituto
Delphos, onde atende de graça a pessoas de baixa-renda, que ganham
até três salário mínimos. As entrevistas foram feitas com os homens,
a maioria na faixa dos 40 aos 60 anos, e com problemas sexuais como
disfunção erétil, ejaculação precoce e falta de desejo. "A conduta sexual humana deveria respeitar a
seguinte ordem: desejo, excitação e, por último, orgasmo. Mas, com a
supervalorização do orgasmo, a maioria pula a fase do desejo e vai
direto pra a excitação. E aí não tem beijo, abraço, nem carinho. Só
que eles se esquecem que o beijo é um fator essencial para se
atingir o orgasmo", diz o sexólogo. Mendes ressalta que, apesar de o estudo ter sido
feito com uma parcela da população com menor poder aquisitivo, esse
problema também atinge as classes média e alta: "É fato que, quanto
maior a renda e o grau de instrução, melhor o desdobramento desse
assunto. Porém, o que está em jogo hoje é a questão da falta de
tempo e a necessidade emergencial do orgasmo e isso atinge toda e
qualquer classe". A falta de tempo é inimiga do orgasmo O sexólogo explica que o estresse do dia-a-dia,
as dificuldades financeiras e a correria do mundo moderno são
fatores que impedem o homem de se dedicar à afetividade, às
preliminares e, desta forma, o sexo se torna imediatista. A
conseqüência é o afastamento dos casais. Segundo Mendes, o beijo é a
base para a busca do prazer no sexo. "O beijo está ligado aos nossos cinco sentidos -
tato, olfato, visão, audição e paladar –, você olha nos olhos, vê a
verdade no outro, cria um vínculo." Prostitutas não beijam O sexólogo explica que, um bom exemplo de que o
beijo representa um compromisso sério é: jamais ser incluído nos
programas de prostitutas. Há cerca de um ano ele e sua equipe
entrevistaram 28 garotas de programa na Avenida Atlântica, em
Copacabana, na Zona Sul do Rio, e constataram o que já é lugar
comum: "Todas disseram que já aceitaram propostas
bizarras, mas não aceitam dar beijo na boca. Muitas delas têm
namorado ou tem filho e disseram que, nem pagando, dariam o beijo."
Uma questão biológica De acordo com Mendes, tanto a mucosa labial
quanto a genital são enervadas pela medula. A primeira está mais
próxima do cérebro e, por isso, recebe os estímulos sexuais de uma
maneira mais eficaz. Ambas possuem o mesmo numero de terminações
nervosas e, portanto, o mesmo potencial erótico. "Nós fazemos um trabalho, com as pessoas que
buscam a terapia sexual, para tentar um recomeço do namoro entre o
casal. Claro que usamos medicamentos em alguns casos, mas idéia é
que o remédio seja eliminado. Propomos exercícios específicos de
sensualidade, procurando desvincular sexo de afeição e estimulando
carinho, beijos e, conseqüentemente, a aproximação do casal." |