Cacique Boys marcou uma

fase romântica de Bocaina

Conjunto musical teve vida curta, mas enquanto durou fez muito sucesso e embalou os namoros e a vida noturna de uma geração.

No final dos anos 60, quando o mundo vivia o auge do rock e da era Beatles, em Bocaina, os irmãos Darci (Grita) e Enio Marques, proprietários do Bar e Churrascaria Cacique, decidiram criar um ponto de encontro para a juventude. Um amplo salão com palco, no fundo do bar, era o point dos jovens da época. Com música ao vivo, claro.

Para animar as noites de muita paquera, cervejas e cigarros (as mocinhas que fumavam se refugiavam ali, porque era muito feio fumar em público), os comerciantes montaram também uma banda. Surgia, assim, o conjunto Cacique Boys.

A formação inicial tinha Tadeu Vicentini (vocal e guitarra), Paraná (bateria), Pelé (vocal), Bide, Cássio Dadalto e Denílson Budin (baixo).

Do pequeno palco da churrascaria, o conjunto começou a ganhar espaço em clubes de toda a região. Vieram os contratos para bailes e as viagens.

Como alguns dos integrantes não podiam acompanhar o conjunto, porque estavam estudando ou morando em outras cidades, houve uma renovação do grupo. Vieram de Jaú o baterista Zé Gordo, o guitarrista Cidão, o saxofonista Archimedes e o tecladista e guitarrista Vardinho. Da formação inicial ficaram apenas o vocalista Pelé e o baixista Denílson Budin, o Deni. Estes dois bocainenses da formação final, coincidentemente, morreram em acidentes automobilísticos, Deni em Bocaina e Pelé, em Pernambuco, muitos anos depois do fim do conjunto.

O conjunto deixou de se apresentar na churrascaria e passou a viajar por bailes pelas mais diferentes regiões do Estado de São Paulo e até em outros estados. Foram os que introduziram as guitarras elétricas na região. Ensaiavam num antigo depósito da Casa Armentano.

Eram tantas as apresentações fora que raramente o Cacique Boys se apresentava na própria cidade, no Nosso Clube. Bocaina viveu um período romântico nesse final dos anos 60 e durante os anos 70. Eram muitas as serenatas, algumas vezes acompanhadas por integrantes do Cacique Boys, como Deni e Pelé.

Mas, como tudo o que é bom dura pouco, um dia o Cacique Boys acabou. Fizeram dois bailes de despedida no Nosso Clube, dois sábados seguidos. No último, um bocainense radicado em São Paulo foi quem pagou a apresentação e ainda mais, para que tocassem até às 5 horas da madrugada.

O último baile terminou em lágrimas, ao som de "Sentado à Beira do Caminho", música de Erasmo Carlos que o Cacique Boys encerrava todas as suas apresentações. "Eu não posso mais ficar aqui....a esperar"... A abertura dos shows era com o solo "O Milionário", gravado pelos Incríveis.

Nunca mais Bocaina teve um conjunto como o Cacique Boys. As versões para o fim do grupo são muitas, como são também para o fim dos Beatles. Sobre o Cacique Boys, consta que todo o equipamento era dos donos do bar, que desfizeram a sociedade e venderam esses instrumentos. Como os rapazes do conjunto não tinham dinheiro para comprar... acabou.

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