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O Bar
do Lito escreveu capítulo inesquecível da vida de Bocaina
José Henrique Teixeira O restaurante do Lito, bem na esquina da praça da Matriz, na
rua 15 de Novembro, marcou época em Bocaina. Foram cerca de três
décadas de
O Bar e Restaurante do Lito era também o ponto de encontro de
boêmios e seresteiros. A própria casa tinha um violão e um
acordeon e quem chegasse e soubesse tocar, podia pegar os
instrumentos e mostrar seu talento. Grande
Mas é preciso contar essa história do começo. Num sábado, 19
de julho de
Veio a idéia de dar um novo nome ao estabelecimento. Naquele
19 de julho, a nave Apollo 11 estava chegando à Lua, na primeira
viagem do homem ao satélite natural da Terra. Chegou no dia 20
de julho. Surgia, então, o nome do estabelecimento: Bar
Astronauta. Foi interessante que o nome não pegou. Acredito que tenha
sido melhor assim. Ficou Bar do Lito, homenageando esse grande
comerciante. E ninguém mais falava Astronauta,
Ao longo dos anos, muitas personalidades passaram pelo Lito.
Para citar algumas, Jânio Quadros, Luiz Inácio Lula da Silva,
Orestes Quércia, bem como do mundo esportivo, Ademir da Guia,
Dudú, Nei, Fiori Gigliotti, entre outros. Embora fosse
sãopaulino fervoroso, Lito fez questão de pendurar na parede do
bar a sua foto ao lado do "Divino" Ademir da Guia,
O Lula, quando esteve no Lito, era ainda presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Foi trazido
pelo amigo João Marcílio Affonso Ribeiro do Amaral, o Chóca.
Bebeu cachaça, fumou cigarro de palha e fez discurso em cima de
uma cadeira. O Fiori Gigliotti, um dos maiores nomes do rádio esportivo
brasileiro, vinha
E ao Lito vinha gente de toda a região. De Jaú, aparecia
sempre um grande número de bancários, especialmente às
sextas-feiras. O Fava do Banco Sudameris vinha com toda a sua
turma. Vinham também outros bancários e comerciantes jauenses.
Vinha o
A maioria ia para saborear a leitoa e o frango à passarinho,
sem igual. Outros encomendavam
A leitoa à passarinho do Lito não tinha –e nem precisa ter-
essa história de passar por diversos tachos para fritar. Era
apenas um tacho, com bastante óleo e ele bem quente. O teste
podia ser feito jogando-se um palito de fósforo: se ele
acendesse, o óleo estava no ponto. Aí era só jogar os pedaços de
leitoa previamente temperados e deixar
Nos dias de semana, de menos movimento à noite, vinham os
boêmios locais, tocavam e cantavam, no bar ou no salão do
restaurante. Tinha de tudo, de sertanejo à seresta. E muitas
vezes, o grupo saía do Lito em serenatas pela cidade. O Denílson
Budin, o João Luiz e o Edson Marangoni, Antonio Caciola, Bertim
Burjato, Zuino Cardoso, Nabor Tristão, Paraná e outros, tinham o
Lito
Tarde da noite tinha a "sucata" para os boêmios. O Lito ia
até a cozinha e voltava com uma travessa cheia de pedaços de
frango e de leitoa à passarinho, que voltaram intocados das
mesas do restaurante porque os clientes não conseguiram comer
toda a porção servida. E a turma se deliciava com a "sucata". Outro episódio inesquecível foi a conquista do tri pelo
Brasil na Copa do Mundo
Quando Lito comprou o bar do David, seus filhos eram
pequenos. Os meninos se deliciavam com os doces da vitrine.
Depois, enjoaram... e cresceram. Passaram a ajudar o pai. O
Eduardo, o Beto e o Rinaldo. O Beto seguiu carreira acadêmica e
foi embora mais tarde. Ficaram com o pai e seguiram com o "Bar
do Lito", após a morte prematura de Aurélio Debiazzi, os filhos
Eduardo e Rinaldo e.., claro, a dona Áurea, na cozinha. Lito escreveu, com seu estabelecimento, um capítulo
importante da história de
Com orgulho, posso dizer que fiz parte dessa história, por
cinco anos, em plena juventude. |